11/03/2013

Tão cheio, tão vazio...

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

 
 Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente





um arco iris que agarro entre os dedos
e a luz monocrómatica
remexendo a miragem ostentada por um oceano de dunas

 o mar revolto onde me miro
quando o sol me não me deixa ver ao espelho

contraio desejo no explendor da inércia
de olhos cerrados contemplo o teu corpo

faço amor com raiva no sangue
e a minha fala é silenciosa quando a noite chega fria
pra me beber no leito em chama 
aceso fogo
 transpiro no orvalho da madrugada
de pele fustigada plo teu sopro quente

sorvo a vida, a minha a tua estando longe dela
e sinto no glaciar gelo da distância
um arder estonteante na simultaneidade da memória

a  mentira que abraço na verdade
o real solarengo de uma sombra negra

vivo morrendo e renascendo nos sentidos

assim num sereno sobressalto
                               recebendo a vida



4 comentários:

  1. “Vivo morrendo e renascendo nos sentidos”. Amei :)

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  2. Há noites que valem uma vida…
    Ouço ao longe o marulhar do vento no teu coração.
    Deitas-te sob oceanos de estrelas:
    Eis o arco-íris do amor
    Não chegaste depois da hora.
    Os relógios pararam e os violinos soltaram gemidos.

    O mar revolto.
    é agora planura verde
    onde a esperança
    deixou os lençóis de linho
    para a noite contemplar
    o esplendor dos amantes.

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  3. Morrer e Renascer nos meus sentidos...sempre sempre Nêspera...



    Kiss

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  4. :-) Minha Isis...andas a estudar astrologia? :-))))))))))


    :-)Tão acertiva, quase uma carta astral :-)


    Beijo

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Obrigado por me vir ler e comentar.