15/03/2013

Segredo sem horas


(S.Sebastien)

"ah, como esta hora é velha...e todas as naus partiram"

F.Pessoa



o meu silêncio brinca, livre, no contorno de todas as nuvens
é assim que quero fugir ao tempo
destruindo em mim a febre das horas

e deixo-me a sorrir
a sorrir com desprezo e alheamento
 na determinante cumplicidade de um qualquer sol
e fico inventando o sonho
inventando a vida
inventando mares e céus
momentos, praças, monumentos
livros, poemas, pensamentos
inventando tudo aquilo que me não faça sentir infeliz

dialogo continuamente
sem mestre, unicamente com o acaso
sem norte certo e até sem sul
apenas delirando no vento
que faz oscilar os pontos cardeais
fico no compromisso de mim
 sem horas
só este momento no sentir a expressão

aquela dimensão que me faz atingir a ilusão

e assim permaneço, numa calmia fingida
sentindo todos os sentidos ao mesmo tempo a segredar
o ruido que fazem as tuas pálpebras
quando incautamente se cerram contra os muros quentes da saliva





(foto minha)

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