11/03/2013

Lembrar e chegar depois da hora



roubei à noite escura
uma madrugada de luz serena

e entre o rio, as pontes e as estátuas
a praia silênciou o rumor das mós
na noite que  parecia sem desvio

na flor da raiz
há ainda um suco que bebo lentamente
 um orvalho de seiva
o ópio rasgando a minha sede

é tão fácil lembrar momentos e chegar depois da hora
recordar na insensatez todas as palavras aprendidas
na concha do levante das marés

há nos meus ombros ainda o perfume aberto de um tempo
a caminhar já sem sede no destino

para lá de tudo o que tem forma
entrego-te as palavras brandas
que por entre os meus sentidos construi



 

(foto minha)

2 comentários:

  1. Tu aí à beira do mar...
    Deste-me que pensar.
    adormeci nos teus versos e acordei nas minhas palavras:
    Quantas noites
    te busquei no horizonte
    quantas madrugadas desfolhei o pensamento
    entre as pontes do meu silêncio e a praia serena
    lá, onde as ondas me devolvem o teu sorriso há um rumor baixinho que rasga a minha sede de horas insensatas, de palavras ancoradas nas marés do teu viver.

    Os relógios devolvem-me a realidade e um encolher de ombros surge na orvalhada seiva que me alimenta os sentidos, com as tuas palavras.

    Fiquei ancorada neste porto seguro, baixei os braços à vida
    Se a vivi pela metade, o fatum culparei.

    A maré cheia não se fez para quem escolhe a planura.

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  2. As tuas palavras são reveladoras, tal como os silêncios recolhidos numa maré cheia...



    :-) Um beijo sentido

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Obrigado por me vir ler e comentar.