13/03/2013

Extremo momento





estou livre neste voo explanado
não tenho medos
nem rumos
quero pouco pensar
quero o tempo pra sentir
 sentir
gosto do delírio a agarrar-me a alma
o corpo
gosto do nó que aferrolha a garganta
silênciando todas as palavras
gosto de sentir as borboletas no compasso da inspiração
a alojarem-se rodopiantes no labirinto do meu peito

não sei viver um pouco de cada vez
não sei dizer que quase amei
ou que quase fui (in)feliz
que quase senti esta viagem
sinto
sinto-me
sinto-te
sinto o holocausto
o frenesim
a infernal loucura
num céu de devaneio

tenho em mim  a luz avassaladora do sorriso
e a destruição dilúvica das lágrimas

nada me relembra o destino
mergulho em pleno na (in)segurança
o que não me aflige nem me acalma

para que quero eu remendar a vida com pedaços
que nunca chegam a ser um nada
sou devota
do momento
                         e da magia



* "e o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha"









*tirado do  poema Quase de Fernando Pessoa




3 comentários:

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