14/03/2013

Envolvida(mente)



sinto-te num bailado de seda
e aperto nos braços este afago macio de vento
para pronunciar as silabas do teu nome
como se fosse um sublime mantra
                                                          esotérico
onde a magia é roubada à força dos átomos
e tudo nos trás
                                        e em tudo nos dilui

porque és sempre tão premente?
e sempre estás ausentemente
na tua constância em toda a minha pele?
porque cabe em minha concha
toda a tua obscura claridade?

 meus olhos abertos prescrutam-te
                                                          em todos os simbolos
nas rotas da seda
no chilrear das nuvens
nas neblinas
e até nas ruas d´água
setem-te nos doces prados da espuma
nas fustigantes vagas
e em elouquecidas marés

és o simbolo de tudo o que tenho
e de tudo aquilo que me foge
 mergulhando-me nua no soluço cru da seda

sinto o arrepio na espessura do teu éter
existes definitivamente
até no além das rotas sensoriais
estás tecido nos ventos 
pra me embalar em mágica corrente
desde o além
                       até ao que aqui impera

 e no teu oceano de matéria
eclode o fogo das pedras
 é nesse ritual que fico fiando um canto áfono
de lira breve e cansada

  na lentidão das noites
fustigo impiedosamente todos os sentidos
porque nos dias quebrados a nascente
os meus dedos pousaram sempre nos teus passos
e não há limite nas estradas de pó

tu existes nos meus olhos
e diante da imensidão do teu espaço
 há cachos de uvas maduras
impregnando mosto no meu sangue

 nesse ébrio (en)canto
há casulos de seda pura 
 a envolver sem pudor todo o espaço silêncioso das pétalas




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