29/11/2012

Poema de amor



hoje dei-te de mim

o que ninguém vê

... senti

que em profundo sorriso

me tomaste do principio ao fim






 

Sorriso num sopro de Sol...


























é no afago do sol
que dou som às palavras
emudecidas no abismo

neste infinito mar
planto verbos
que germinarão em cada onda
em dança de luz sobre a espuma

ouso a conjugação no presente

as palavras vestem a pele das emoções 
na ausência do frio

e o sonho é cheio, sem vazio
simbiose e harmonia
de consoantes e vogais


na fortaleza de aragem azul 
há a musicalidade do mover

querer
acontecer

...um sol dourado no silêncio e nas palavras
uma alma a mover-se
em sorriso de afagos de sentir



              ...o corpo vibra no pleno de todas as conjugações




28/11/2012

Lunático vazio



trago meus sentidos
em sombra de lua cheia
a tempo solto
em simbolismo de incógnita

 nem sei se de mim sei 
nem porque me leveda o sangue
em tanta prece

circulo-me
em incensos, magia na luz de velas
finita e imperfeita
a decifrar como equação fundamental
 tua imagem
e
todos os vocábulos ficam mudos
hoje, reversivos de doçura
apenas vazio
neste fermento do tempo
escasso
como se só na morte,  mágica se achasse a vida

***
no vazio
olho
 a
 lua
...através do perfume simples da minha buganvilia



(fotos minhas-hoje na minha varanda sob a Lua cheia)
 
                         


27/11/2012

Amar bom



 
amo amar como (te) amo




 
(foto minha)

Viagem




encher-se-ão as marés
e
então
viajaremos nos sonhos da espera
envolvidos em brisas de saudade
em
barcos carregados
de silêncios cumplices






(foto minha - Ilhas Phi Phi /2011)


Serenidade

                                        
de tranquilidade será  meu sonho

estou
na conjugação  presente do teu verbo
 alongada na doçura do teu sorriso

evocando o odor de teu olhar





(foto minha Thailandia 2011)


Em tua boca



elevo-me na fragrância da tua boca

é alba e pôr do sol
a
 saliva
de almíscar canela
no lânguido contorno do gesto

 beijo é vertigem
e
sensualidade
a esmagar sentidos

 ébria fonte

hábil sedução
a deslumbrar-me a pele



 
                                              ai, esse fogo molhado...

                                                                         ... tua boca



Rosas e corais na melodia de beijos



rosa solta à madrugada
 pérolas de suor e orvalho
derrame em sol a nascer

há pétalas nos meus lábios
 sorriso entrecortado no amanhecer
na boca o porto
 partida e chegada
o navegável na dictomia dos verbos
 sede
 e
 fome
na exposição da luz
nesta viagem
soltam-se odores
estendem-se as alas do embalo
exaltação no afago despudorado dos sentidos

é um  percurso de velas enfunadas
uma rota de beijos macios
macerados em bagos de romã

o mosto e as pétalas
remetem-te meu afago deste dia
sentidos e veias
na viagem
do
beijo

o percurso é azul de mar e céu
com especiarias de verbos, pétalas, paixão  e corais

   
ouve

 sente 

                                   é a melodia de um afago
                               o toque  silêncioso dos meus lábios                            







26/11/2012

Teu nome no rio


os passos parados na beira do rio
meu olhar a levar-te na doçura das águas
os prantos e as saudades
a dormitarem na fala dos lábios

meia luz poente
a baloiçar a corda das águas
limbo e seda
ternura a reflectir as silabas

no desenho mais largo do teu nome

o som das tuas letras reflectido na água
é
melodia
que eu arrecado no peito, no corpo e na alma
a diagénese quimica
na biologia Danubiana do amor

quanta magia na corrente
a arte e o solfejo


fica mais largo este rio
e
                                                       o meu "horizonte"


(fotos minhas- Danubio)

Sentir(es)


metade de mim é silêncio
outra metade é grito

simbiose de lacunas
verbo
metáfora
e
antítese


o sentir em mim
é 
montanha
espuma desfeita
vaga
céu em mar


uma
concha
a ouvir  Bach




(foto: eu)

Em água...


encontrarei na água
as
rotas
o
 sal
e
o
fino polén




o
caminho
para matar a minha "sede"









(foto minha - au Sahara)







Vazio(s)


imenso o espaço
a temperar sentidos


redondo vazio

 ausência de luz
no soletrar
as silabas do tempo





(foto minha)

...


deserto
...

eu
sem mim





(foto minha)

Ardente




água tombando
nas metáforas

sentido
e
 queda vertiginosa
na ausência de sorriso
meu
corpo
 faieira molhada 
e
resilente

 
a
 fonte de água ardente
 fogo e renascimento
queimando os vocábulos da fala




 
deixo-me arder
                                             destilando os vazios





25/11/2012

Vertigem



abraço a noite
traço com rugas os pesares
não quero sonhos
nem abrigos

na escuridão
agarro as  verdades
sinto-as tatuar as mãos
com que abraço meu peito


 
cruel esta vertigem
que aguarda a madrugada




(foto minha)



Sorrir nas lágrimas






....e, se de repente
 de cada uma delas
em cada uma delas
 se esculpissem braços e pernas
e bocas abertas
em epopeias  de brados e gritos
se hasteassem os corpos em estandartes
de vozes e mensagens maiores
num vociferar direitos inolvidáveis
e verdades proscritas


feneceriam os prisioneiros sorrisos
com que futilmente também se veste a vida




(foto minha - Istambul/10)

Pendular


estou pendular

num dia de vida e segredos
 após  madrugada de linho
onde a beleza matura
no interregno do sonho
é ternura emancipada
e faz girar em mim
 movimentos de astros

sinto-me prenha
tenho no ventre o embalo primitivo
da benção e da  cura
uma claridade de beleza
em morada antiga
a emoldurar os anéis dos meus dedos
de nitidez,  de lume e  chama

sou neste movimento
um moinho de sal por dias sucedâneos
e
a
indigena
mendigante
senhora e guerreira
em
 movimento pendular
entroncando caminhos
 
no desejo sereno de macular a água
sou o fogo a burilar  templos
aquecendo e construindo
meus mil sentires
na incógnita do verbo


nesta liberdade
neste movimento
deixo fluir ao vento meu altar d´afectos...



(foto minha)

24/11/2012

Água (na) boca



nas velas acesas
abastardam-se meus lábios
ao invés de sorrirem
desenham preces
suplicas sonhadas nas noites sem dormir

há  uma tradição iluminista
no poder e na  razão das tuas formas
que neste amplo leito
são a osmose em partilha fantasmagórica

uma relação agónica
entre o verbo
a procura            na espera

em comum narrativa
                             te digo
sem peso  sem espessura   sem medida
que neste dia d´água
sou borboleta     
                  asa
e neste vitral
a esperançosa de a.penas
ser voo no teu mar revolto

brando sopro a envolver
a enseada do teu ser
de forma arável
um tom do gemido e tenro cântico
de harpa, prelúdio de lira e oboé

e no abraço da boca
a lágrima ousada a esculpir-se
no mastro de mármore

quero assim sentir no arrepio da tua boca
o silêncio apelativo
de um grito áfono
rasgar a sede em maravilha
num dia
de musica a embalar
                                a água branca

22/11/2012

Segredos na espuma



a onda vem
e a rebentação de espuma branca
segreda-me 
todas as incontidas memórias
do meu corpo nu
a fragmentar-se no deleite do sal
em mergulhos azuis
num mar de gemidos ancestrais
com voz

nestas memórias sou também
a neblina escondida na falésia
roubando às pedras
o verbo e o tom
também a alga projectada pelo vento
desertico pedaço de nada
ou
talvez a noite a querer ser dia
em maresia  e  tentáculos de luz


a espuma
na rota dos segredos
é astrolábio
no incerto trajecto
entre ti
e o sol
entre eu
e a lua







21/11/2012

Mel




nada proferir
é ter na expressão
o enorme sentir
e na língua
o gosto a  mel 
de todas as palavras


silêncio...



19/11/2012

Ainda na Arte




há dias que o sussurro do céu
vem sobre mim
como um mistério de luz branca
há nele a lentidão do teu olhar
e o arrojo 
como o silêncio das tuas mãos

ambos me afagam

divino este sentir em mim
mistérios deslizando a pele
sem palavras, sem explicação

sentir é arte

porque assim te quero
em céu d´arte
de mil cores musicais
despojada de lirismos
na essência dos sentidos
em simplicidade de cores
que formatam telas e aguarelas
as albas e os poentes matizados

em luz e sombra
no fresco deambular do teu sorriso
bebo sem fonte
a eternidade dos verbos
imagens tecidas em portos
de sensoriais  memórias

maresia e trigo, junco e jasmim ou alfazema
tanto faz...
na arte do sentir
indiferente é a essência do perfume



Arte

(foto minha - Arrábida Nov.12)



sinto um abraço de amor
emergindo das águas
e
uma sublime arte azul
contornando a imagem
que de ti desenhei
                                      ... no infinito




18/11/2012

Sentir(te) aqui no Mar




este mar
anil, cinzento
acorda-me como um vento
roubando-me ao embalo da brisa
faz-me bramir o peito

há salmos neste vento norte
poemas e sentidos
ancorados no sopé
arrepios profundos
como um ser e nada ser(te)
algo imperceptivel
como o respirar do linho
quando nos toca a pele

há um alcance
chamamento
secreto, hábil e fértil
mas que arrefece os lábios
e os dedos
como se o desenho dos segredos
se pudesse construir no frio
ou
na nudez ocular das minhas iris

estou ágil neste despertar
mas não o quero
o frio gela-me

há musicalidade na distância,
na serra, em ti e no mar
som fabricado no concilio dos deuses
ontem
agora
e
aqui
e eu embriago-me na melodia
para  traçar estradas de espuma neste mar
e quero o som ecoante na vigia,
na escotilha do barco
do teu barco, raio de sol
agora em poente
e desenho a  viagem
escuto e olho,

e sou corda d´água a perder-se na imagem

na clamação do inaudito
sou mar fecundo
de seiva burelado

e confirmo-me laboriosa
aqui
despida de gestos
                       e a conter-me


 
                                 apenas espuma a pintar teu barco




foto minha: Arrábida (hoje)


17/11/2012

No ponto cardeal



céu infinito
olho-o antes que anoiteça
através do ponto cardeal onde te sei
e a imagem  reflectida na vidraça
fala-me do silêncio dos teus olhos
nos gemidos do vento

daqui deste lugar
enternecida
e no amparo das minhas mãos
entreabro os lábios
num sorriso de arminho e alfazema

inventados

porque à beira dos meus olhos
faço reflectir
quase água, quase saliva, quase nada

o real

toco o Tejo com o olhar
vislumbre que não é
sendo
de baço olhar
e não há barcos
nem panos brancos de aceno
só águas vazias
em choro
nas margens de Lisboa


inquieta,  aquieto-me
a infligir-me inumeráveis palavras
com e sem sentido
que  deposito ternamente no meu colo
e com elas teço poemas
em folha branca ausente

(que rasgarei antes que leias)



e aqui fico, a sonhar-me livre
sentada na subita distância
que vai dos teus lábios à palavra

                                               olhando o Tejo...



Sublime o sussurro




o silêncio não é omissão
é mensagem
a alma num habitar
o estado de luz

e nas falas do silêncio
junto ao mar
sinto o sol
o fogo
e a noite

os pórticos do meu querer
sublime  o sussuro
aqui, neste infinito mar azul
com a  voz do silêncio
a tatuar-me a pele
no marinho odor
mensagem de coral
a cada onda

mar
casa sem paredes
janelas com visão
portas abertas
momento exacto

magnanime

o
silêncio
em que te estou a amar


16/11/2012

Sei-me na vertigem




sei-me no despudor
em arrojada devassidão
de te querer como um sol
a queimar a pele
não há como evitar
a corrente do meu sangue
é  imparavel rio
as margens são comprimidas p´la vontade

a alma levanta os braços
e o abraço deste querer
está destronado de pudor
reis os sentidos, esses
albergados num templo nacarado de fogo
um ardente protócolo de saliva e sal
os verbos conjugam presente(s)
não há espaço nem reflexão
há corpo alado
em voos que  não sustentam a razão
um incessante fluir da impetuosidade
 tempo sem tempo
e sempre a ausência é o presente colado nas virilhas
 vertigem a beber o magma do abismo
mas há  céu, céus
idas e voltas sem principio nem fim
não há paragem
nem tréguas
 sentir 
é oxigénio e brisa
 premente fogo
almejando a prece

 eu
 sou 
desejo 
veias ferventes
no processo da sofreguidão

14/11/2012

Em liberdade




olhei hoje o mar
belo de tão azul e infinito

 envolvência
e
maresia
a dar melodia à minha alma


ao olhar-te
belo de tanto que te quero
senti-te mar
um infinito perfumado 
no vaivém ininterrupto das marés


a
 essência
a
 brisa
no movimento diarístico da minha Liberdade




Um outro renascer



                                                      (cabeça de mulher-Pablo Picasso)



hoje meu grito
tem sorriso
suavidade
carisma
e
ternura

 dentro de mim
reacendeu a magia
que adormecida há um mês
me fez sonhar
a incerteza
de voltar a sorrir
na força e energia
de quem na vida
 quer
 e
não teme

sou de novo guerreira de meu grito
nos meus sentidos
estão os traços 
as emoções
o brilho
 dos olhos de meu peito

estou nas minhas almas
em retorno às  "armas" na arte de me fazer sentir
e
parto
e
regresso
ao som de arcos e flechas de mil cores

toco de novo em mim






(excelente a recuperação)

13/11/2012

Luz no contorno dos corpos


hoje tenho colado no meu silêncio
a cor dos teus olhos
para que na ausência das palavras
 minha cor se misture na tua
e ainda que longe de ti
seja a cor em nós o tempo
 doçura
a lamber a causa/efeito
nus desejos
tu e eu

 e que da cor do lume
e no molhar das  línguas
se solte a saliva do sussurro
porque te quero assim dizer:
-olha-me pelas estrelas
não há que ter medo não

dá-me    luz    calor    brilho

 descobre comigo a metáfora
dada pela geometria do fogo
soletra comigo os anseios que nos invadem o sono
tropeça comigo no contorno dos corpos
acaricia as veias
porque são os sulcos do desejo em nossa pele
 

compromete-te comigo 
na luxuria secreta dos nossos segredos
.
 cometamos sorridentes os imensos pecados


(...repara como os deuses voltaram
a colocar tudo no lugar...)