30/11/2011

Irracionalidade






não sustenho este gemido
solto em desordenadas silabas
embainhado no sulco dos meus dedos

dou-me conta que este sol d´olhar-te
é a luz da sede que me não aquece
um  frio d´inverno longo
aninhado nos meus ombros
uma leveza de castigo d´ausente abraço
o teu abraço...
sublimado no xaile que carrego

tenho a fome nos olhos
a lingua seca á falta de dizer(te)
que te desejo

olha-me o livro aberto que não leio
dói-me a musica prostrada no angulo do silêncio
que não ouço
é de fel a baga crua germinada
na indiferença e no tédio

queria...
despir-me desta culpa de t´amar
transformar-me no barco que parte e já não volta
ser o barro cru que aguarda o vendaval
as folhagens caídas na terra
humus de ti


mas...
sou tão sómente a que te suspira
a boca que te sabe, que te conhece o gosto - és mar de sal .
e todos os porquês são vãos
porque se recolhem na curvatura da mandibula
no meu descompassado peito
terreiro de luta e espera
que arde...qual madeiro seco
cheiro de pinho e mel do teu sorriso

meu desalinho...tu
que me percorre enviando-me á tremura


quero ( oh como te quero) e quero
dizer-te sem limtes
desta saudade
de te ter em mim a percorrer
o nó das palavras
convertidas em sussuros
quando te abeiras das minhas margens

e me és
                                                        a irracionalidade da razão....






27/11/2011

Sem sol...




não há sol que me aqueça hoje
não há livro que leia e me alimente

há um espaço vazio e intemporal
neste meu sorriso vago

nas mãos o nada
no olhar um infinito turvo

volátil subo
indiferente ao mar que amo

sou um balão
feito de nada...um gás movido

a dor alojada na garganta
reprimindo o grito

sou um sino de igreja
que não toca


sou a que se detém no nada

sou o próprio esquecimento




Ama-me !




trespassa-me um frio
gélido
conturbo-me neste arremesso
silencioso
envolta em tiaras brancas
 num aperto de pensamento.
que fantasma pérfido este 
que  me persegue, suga e sulca
que me perturba a razão.

não me queiras
em jeito de nada
perdida no tempo
esperando uma ou várias encarnações
pra me teres completa
no hemisfério do teu corpo

não há culpa na razão dos sentidos
na vaga estonteante da saliva
no néctar arrebatado ao momento

ama-me
no sorriso da metáfora
ama-me
como queres que te seja
ama-me
na levedura do sorriso
ama-me
no capricho da saudade
ama-me
sem dor e sem medida
 sem comedimento
ama-me
na elevação
no conhecimento
ama-me
na leziria do desejo
em guerra e paz
ama-me
no deserto seco e quente
e
bebe-me
bebe-me na serenidade
como se te fora um oásis



09/11/2011

Volúpia





toma-me no mosto
na branda carne palpitante
de sentidos transtornados
prende-me em aspirais de loucura
  apertos de tortura
rouba-me ao ar

rebola-te em mim
descola-me a insânia
sente-me em cheiro d´ondas
desfeita á tua praia
meu marear de loucura
em rodopio á ventania

aporta-me suada e nua 
em tua pele
prende-me ás tuas coxas ondulantes

solta-te(me) ao grito
albergado na garganta


mordem-se os beijo
suprimidos  á saliva
ao nectar dos  corpos


sente-me morrer em ti
agonia tesão luxuria
sublime caos

sente a morte a roubar-te ao gemido
sente
             sente 
                        sente



                                                               como morremos devagar

 
 

06/11/2011

Em (canto)






não me chores
não me cales o sorriso
não me desnudes o tempo

que me quero assim
serenamente doce e forte
nesta minha inocência
de amar-te




foto by Sara

Escrito no muro



Penso-te nestre cru azul
de um tempo roubado
á memória do sol

serena é a página
voltada á indiferença da escrita
polén disperso en anagrama
roubando em cadência
as emoções
projectando-as
na real conjugação do verbo


as tílias desnudam-se

 
e no desassossego da cadência
 aspiro o pestanejar da luz
ousada e morna
preenche-se-me o silêncio

silva no mar o vento
trazendo á margem restos de nada
desfeito e áspero pó
um odor ousado e frio
arrefece
este meu regaço morno

agora nos meus dedos frios
jaz a tinta caida do muro
onde em tempo in(certo)
redesenhei teu nome
dando som á poesia



Teu sorriso




sorriso... teu sorriso
vem
abraça-me nele
agora
                          daqui a pouco
                                                      ou amanhã

molha-o demoradamente
assim
 em mim
no meu vazio olhar
 no meu desejo profano
na pele em arrepio
no hálito do desejo

molha-o 
porque te quero a boca húmida
no beijo




05/11/2011

Peito de pássaro negro


a noite
a bruma a ondular-se

ausência   fogo    labareda

 silêncio
na narrativa incrédula
principio
elementar

                           sorriso

e

                         gesto

o gesto sacudido
e ausente
no rumor dos passos

teus passos

 passos onde não atracam
nem sonhos
nem gestos
nem falas

apenas o sacudir

do espasmo improrrogável
 sussuro calado
 no peito negro
de um pássaro enlutado
                                        e primitivo



de não anunciada vinda








01/11/2011

Agitação....





das minhas mãos ruiu a fortaleza
onde se albergam pedaços d´água
desfeito sal
quem sabe, a náusea de te não saber

neste céu burilado a chuva e prata
redesenho a tua imagem
d´ogivas vagas
colo incerto
vago tumulto

penso-te
sinto-te
oculto em cultos prosaicos
na senda insondável de desabridos portos

e eu
sou barco aos tombos
rombo á proa
incauta e frágil posta á prova
neste nada inconfiável
nos cabos que não dobro
tormentas e gigantes

e tu 
em jeito mareante
dominando o mar de ti, colocando estacas
arrumando
destruindo
anseios frágeis
vulgos sentires


não te vislumbro medo
não te vislumbro amor
não te vislumbro anseio
sem corda
sem ancora
apenas retido num olhar
duro...perdido
no cáculo do caminho do sal







Aragem



 
arremesso-me contra o vento
na loucura de chegar á (tua) boca


como se fosse possivel
dobrar a própria aragem


 
 
 

Sem rumo...



hoje não tenho rumo
apenas um vaguear promiscuo
no caminho insano do teu corpo


as pernas sobem as veredas da saudade
nos pés jaz a lava quente
na garganta o nó
da espera






Da boca ao caos




ai quem me dera
sorver da tua boca
o apaziguamento desta insana febre
vibrar no prelúdio do gemido
 dançar ao som das tuas mãos


e no destempero da razão
cair rendida e fenecer
no caos vulcanico do desejo