30/07/2011

Não sou de tempo...




não faço premonições
não oro...
deixo que as vagas
me invadam os muros do sorriso
que a minha pele suplique a tua
que a nudez dos verbos
seja o vocábulo
o mesmo que não ousas
lançar

não tenho medos
não me importam alinhamentos conceptuais
estou no desalinho
dos dias 
das horas que te penso
ignoro a diferença
destes inventados relógios
colho ao momento as sementes que lanço
nos ventos que me assolam
e me fazem viver
em espiral

nos teus silêncios fortaleço-me
e prescuto o som mágico
da tua pseudo indiferença...

toco arrojada o lilás dos teus olhos
 cansados
 suados
um
vértice
na procissão da omissão

tenho na mão a distancia fundida
dos teus dedos
no colo a coragem de te receber
na boca o gesto de me dar

não há sonhos caídos em mim
há mouchões de canticos
vertidos no sangue
que circula na passagem deste tempo
sem tempo
o que não ousas
fragmentar em luas cheias

olha nos meus olhos
agora...
olha-me dentro
na iris do meu sorriso
e sente...
a conjectura de futuros conjugados
no presente
sente como
 inspiro inocente
o incenso do momento
 o fulgor ardente
deste inconsequente desejo
de te ser





27/07/2011

Tenho





tenho em mim
um infinito mar d´ostras memórias
que nem as tempestades
ousam destruir.
roubo ao odor marinho
o tempo de regência
a silênciada vontade
de reter-te aqui
em mim...
eternizando-te

sinto-te !
para além do conceito
dos teus ombros largos
do teu peito forte

cabes-me afinal
neste vértice
alinhado do sorriso







Permanecendo





há noite nos meus dias
quando cansada me aninho
nas palavras remexidas
desta praia deserta
pra sentir
o traço dos teus passos soltos
aterrados em breves voos
roubados á estrutura alinhada
do teu lado comum

olha como...
as amoras estão prontas p´ra comer
como o mosto escorrega cremoso
na tangente da minha pele

e tu tanto tardas...

partiste no diluvio do silêncio 
e eu navego perdida 
nos sucalcos da miragem... 
...

não me atrevo a sair
não me atrevo a escalar
o esquecimento
e permaneço
escolhendo
perder-me na saliva
do silêncio
no toque das silabas
que adivinho
voltares a soletrar...




23/07/2011

Junto ao Mar





ouso rebuscar todos os momentos
em que te senti junto ao mar

 a boca molhada do sal dos beijos
os sentidos embriagados nas mãos
e
 no corpo
o barro da vertigem

diz-me...
como consegues tu
fazer-me rodopiar
nos gemidos incontidos do momento?!

toma-me
aperta-me mais, e mais ainda
eleva-me na respiração do tempo
e
faz-me sentir o vento
e
 os pingos quentes escorregando na vidraça




(dedicado a ...ti )

15/07/2011

Em renda perfumada





na negra renda
ainda de mim perfumada
desmaia hirto
o teu desejo
um sentir  vestido
de palavras incontidas
embriagadas
embaladas
por soluços quentes
que a noite sacode em ti

ai quem me dera
ser a gota transpirada
que lenta escorre 
da febre insaciável
do teu ser...


05/07/2011

Vazio




deixo que o vazio
me sorva a alma
me transporte o corpo
p´las artérias vazias desta cidade.

lá em baixo, junto ao mar
estão escondidas as palavras
que não ouso dizer-te
os sargaços da minha solidão
as lágrimas adivinhadas.

desço a ingreme mensagem
deste silêncio tentacular
adivinhando a sua morte,
sinto já o cheiro branco
das flores que me enfeitarão.

embrulho-me na amputada espuma
e descubro a falta do teu abraço.
regresso á  fetal  inércia
do abrigo
de mim mesma...

olha o mar se quizeres
e
recorda-me velada
prenha de ti 
em cada maré cheia.



03/07/2011

Aporta-me




viajamos em navio
de mil caminhos
onde os corpos estremecem
ao som das vagas
e na evangelização
das nossas bocas
 vão-se tecendo
 roteiros quentes
de longas madrugadas
agora
estendo-me na brisa
deste despertar
e
aguardo ancorar
no porto do teu gemido.

não me deixes marear
na crista da espera
porque o tempo urge
nesta metade de sonho

  não me prives 
 do teu cínico sorriso
da febril sedução 
desta infernal loucura.
quero-te qual "deus"
numa infindável vertigem
anda,
 toma-me, sente
como brilham os meus olhos
quando aporto
ora frágil ora forte
no simbiótico
cais desta nossa 
humana conspiração





02/07/2011

Sorvo





 


nesta lactente ubiquidade
sorvo em declínio a tua boca
e
banho-me nua
nas trevas da loucura





(foto minha boca)